É curioso o desplante e desfaçatez com que a classe politica trata os assuntos de estado. Demonstrando um total desrespeito pelos eleitores que os elegeram para servirem o país

.UTILIDADES


ARTE
Aguarelas de Turner
Elfwood
Fantasy art
Boris Vallejo
Gorodin
Imagenetion
Luis Royo
Soanala
Tendreams
Zindy

ROTEIROS e MAPAS
Atlas local
Autour du Monde
Rotas e Viagens
Maporama.com
Mapas.clix
Mapa Michelin
Planta lisboa

AMBIENTE
Fauna Ibérica
Quercus
Geota
Portal Ambiente Online

COISAS INTERESSANTES
"> Dicas
Portal Europeu da Mobilidade
Expresso Emprego
Lado Negro da WEB
O Império Romano
Revelar Lisboa
Portal da história
Covers
Clube internet
Terramoto 1755
Lyrics
Museu das mentiras
Todays front pages
Realidade oculta
Vatican the Holy See

METEOROLOGIA
Geocid
Instituto de Meteorologia
Previsão do Estado do Tempo
Weather.co.uk

RECEITAS de CULINÁRIA
Culinarias.NET
Gastronomia de Portugal
Gastronomia Tradicional Portuguesa
Petiscos
Receitas de Culinária Online
Receitas e menus
Receitas macrobiótica
Receitas, Refeições e Comida É aqui!
Serviço Português de Gastronomia e Hotelaria

INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA
Atlas Geográfico
Centro de Estudos Geográficos
Earth google
Guia Geográfico
Instituto Geo do Exército
Instituto Geo Português

INVESTIGAÇÃO ESPACIAL
Agencia espacial europeia
SPACE.com
Portal do astrónomo

TEMPLATES
^.^ COYSITAS II ^.^
Mudar o template
Templates by Maximus
Portal By Marina

WALLPAPER
Dave's Scenic Nature
Deviantart
Desktopia
Digital Blasphemy
PCparadise
SPACE
Webshots

CASAS ENGRAÇADAS
Cavalheiros do Apocalipse Diz Que Disse
Esta barra é azul!
Estranho mas verdade
O coiso
Frente de Libertação Caramela
História em Disparates
Macacos sem galho
O Bobo
O MANGALHO ANTÍ-STRESS
vitominas

MOTORES DE BUSCA
Clix
Descobre
Google
Guia gratis
Iol
O leme
O Mocho
Sapo
Tendencia.cc

ENCICLOPÉDIAS E DICIONÁRIOS
Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
corrector On-line
Dicionários
Tradutor
Wikipedia

JORNAIS DE PORTUGAL
Agencia financeira
Correio da Manhã
Diário digital
Diário económico
Diario de notícias
Expresso
Lusa
Jornal digital
Jornal de negócios
Jornal de notícias
Jornalismo & Comunicação
Mundo.pt
Sol
Publico
O 1º de Janeiro
Semanário

REVISTAS
Nova Vaga
Visão
Finisterra
National Geographic
Atlântico
Sabado

TV
TVI

Rádio

Telefonia do Alentejo
RR

JORNAIS REGIONAIS
ALGARVE

Jornal do Algarve
Jornal do sotavento
Região sul

ALTO ALENTEJO
Diário do Alentejo

BAIXO ALENTEJO
Moura digital

BEIRA ALTA
Diário regional Viseu
Nova Guarda

BEIRA BAIXA
Jornal do fundão
Reconquista
Gazeta do interior

BEIRA LITORAL
As Beiras
Diário de Coimbra
Diário de Aveiro
Diário de Leiria

DOURO LITORAL
Imediato

ESTREMADURA
Jornal da praceta
Região de Setubal
Voz do campo
O Setubalense

MINHO
Diário do Minho
Antena Minho-106.0 FM

RIBATEJO
O Mirante
O Ribatejo
Vida Ribatejana

TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
Mensageiro de Bragança
Voz do nordeste

AÇORES
Azores.gov
Azores digital
Açoriano Oriental
A união

MADEIRA
Madeira.gov
DN da Madeira
Jornal da Madeira

COMUNIDADES PORTUGUESAS
Lusoamericano
Gazeta Lusófona
Jornal Portugal Ilustrado
Mundo-Luso
Portuguese times
Sol Português

ESTRANJA
ANGOLA
Angola Press

ARGENTINA
Clarin Digital
Pagina12

BRASIL
Correio da Bahia
Diario do Nordeste
Globo
News yahoo
Midia sem mascara
Gazeta online

CHILE
El Mercurio
El diario

ESPANHA
El País
El Mundo
abc
Andalucia
El Periodico
Minuto Digital

FRANÇA
Le Monde
Le Figaro

INGLESES
Guardian
The Herald
Financial Times

ITALIANOS
Corriere della Sera
La Repubblica

PORTO RICO
El Nuevo Día

USA
The New York Times
The Washington Post

Islão
Webislam

.posts recentes

. Oh Pedrinho, é feio andar...

. É curioso a frase.

. Para que serve um Ministr...

. Qual é imagem de marca de...

. Mário Viegas Manifesto An...

. O pior presidente de semp...

. Vale a pena ir votar?

. Um presidente um governo.

. O fulano Decidiu que não ...

. Porque se fazem eleições ...

. Porque incomoda a tanta g...

. Pergunta do dia

. Anda por ai uma direita d...

. Olha como está irritada

. Andam todos por ai assust...

. Afinal o ps não aprendeu ...

. Que democracia é esta

. Diz o povo na sua sabedor...

. Existe gente com uma pret...

. “Ajudemos o presidente a ...

. O governo não sabia da li...

. Tiques de ditador.

. Porque razão apresentou a...

. O homem ainda não morreu ...

. Ulrich: "Troika mandou-me...

. Tanto ruido.

. 'Swissleaks' e a xariá

. O EMIGRANTE

. Quando se entra em campan...

. O alarve

. É um conto de crianças.

. Quando os valores morais ...

. Os nossos amigos de turba...

. 10 minutos da vida dum tr...

. Uma ideia, um terrorismo....

. O Mário e gafes

. Mais uma aventura que vai...

. O ambiente cheira mal

. Quando a saúde não tem me...

. Ilhas selvagens portugues...

. Estou farto dos que dizem...

. Quantos pobres recebem “9...

. Grande golpe publicitário...

. Muito se tem falado e esc...

. Visita Guiada ao Museu Mi...

. Como lida a polícia no br...

. A TAP, e os palermas

. BEM-HAJA, Senhor Almirant...

. São noticias deste calibr...

. Não podia estar mais de a...

.tags

. “É para inglês ver”; insustentável; list

. “falta de carácter”

. “OBVIAMENTE

. "a voz do dono"

. "Não tenho andado por aqui"

. "o baqueiro do regime"

. "O insólito acontece "

. "reduzir salários"

. 10.8%;erro;grave;desemprego

. 14%; desemprego

. 150 bombeiros

. 150.000 entalhes.

. 25 abril

. 27º

. 4 Milhões

. «por que no te callas»

. a aldeia dos trafulhas.

. a arte de bem mentir.

. a culpa morre solteira

. a força

. a gamar é que esta o ganho

. A ministra? E os exames…

. a primeira baixa colateral

. a velha

. abertura

. acabou

. acepipe

. agentes políticos

. agressões

. aguenta

. ai

. ajuda

. al-zarqawi

. alcachofra

. alcatrão

. alemao

. alguem diferente

. alimentar

. almeida ao poder.

. amnistia

. amo-te

. ana politkovskaia

. anjos caídos

. aprender

. armadilha mortal

. arquivamento

. arredondamento; banco; roubo; arrogante

. Arriba Fóssil

. asneira; nuclear; falências; electricida

. asno

. asnos; governam

. assalto; banco

. assaltos

. assaltos violentos

. assistência

. avô cantigas

. azar; vai-te satanás

. balbúrdia

. baldas

. bancarrota; guerra-civíl

. bancos; depositos

. bancos; lucros

. bandeira

. bando de bestas

. banha da cobra

. bárbaros; império; reformas

. bes

. besta; muro

. bestas

. bestiais

. bicha popular

. bilderberg; foleiro

. bisonte;

. bloco central

. BMW; sumptuárias; encantar; défice

. bobo

. brasil

. briosa de luto

. bronco; sporting

. Buracos negros; pensões douradas; vidas

. burlesco; revolta; fora-da-lei

. burro

. burros e jumentos.

. c.g.d.

. cacto

. cada cavadela

. corrupção

. corruptos

. demagogia

. economia da ruína

. estupidez

. grécia

. incompetente

. militares

. oportunismo

. pedofilia

. ridículo

. roubo

. socialismo

. sons of anarchy

. todas as tags

.arquivos

. Junho 2017

. Outubro 2015

. Julho 2015

. Maio 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Abril 2014

. Fevereiro 2014

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Novembro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Novembro 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

.Contadores

Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

Entrevista de Mário Crespo ao Correio da Manhã.

“PS devia afastar José Sócrates” (COM VÍDEO)

Mário Crespo, jornalista da SIC, afirma que a razão pela qual José Sócrates não se demite deve ser a mesma porque Leite Pereira, director do JN que recusou publicar-lhe uma crónica, não toma a mesma decisão. Na entrevista ao Correio da Manhã/Rádio Clube, Mário Crespo entende que está nas mãos dos senadores do PS, como Mário Soares, fazerem cair o primeiro-ministro.

Correio da Manhã/Rádio Clube – Quem é que o primeiro-ministro queria solucionar naquela conversa? O jornalista ou o cronista?
Mário Crespo – Indo à interpretação literal daquilo que foi dito eu era um problema a solucionar. E depois foi composto pelo doutor Medina Carreira, sem o doutor. Éramos problemas a solucionar. Que vocês teriam de arranhar uma solução. O vocês era dirigido à zona que me emprega.
ND – Foi um ataque pessoal?
- Eu nunca interpretei como pessoal. Interpretei sempre como uma tradução do primeiro-ministro encarar a informação em Portugal. Para mim era decorrente da maneira como se tinha pronunciado em público no Congresso do PS. Não teve novidade nenhuma.
ND – Era apenas um acrescento?
- Era um acrescento em continuidade. Não houve aí grande novidade.
ARF – Porque é que revelou essa conversa numa crónica?
- Achei importante porque considero que eu tutelo um valor que me foi entregue formalmente pelos meus empregadores e formalmente também pela confiança das pessoas que me lêem. Eu tutelo um valor de liberdade de expressão. E senti-me na necessidade de retratar aquele episódio. E o retrato que faço na primeira parte da crónica é extremamente factual. Precisamente para deixar às pessoas a sua interpretação.

 

ARF – O director do JN, Leite Pereira, disse-lhe mesmo que não publicava a sua crónica?
- Está tudo no meu livro. A conversa com Leite Pereira, as pessoas que estavam no restaurante do Tivoli são todas acessórias dentro de um problema maior.
ARF – Sim.
- Há uma crónica com matéria informativa e analítica, crónica no sentido absoluto da crónica, que não foi publicada. Esse facto é soberano.
ARF – E a conversa?
- O Leite Pereira foi de uma profunda infelicidade na sua decisão. A conversa foi à meia-noite e o jornal já está feito. Não nos podemos sequer enganar nisto. E a primeira declaração dele foi “não te posso publicar isto”.
ARF – Era um facto consumado.
- Era um facto consumado. Estava a informar-me.
ARF – A propósito deste e de outros casos iniciou-se um movimento em defesa da liberdade de expressão. Acha que a liberdade de expressão está ameaçada em Portugal?
- Acho que está. Este conjunto de acontecimentos mostra que está. Onde eu apareço como uma peça mínima de um mosaico de uma continuidade de actuação. Desde o Congresso do PS. Foi chocante o que lá foi dito. E nós pactuámos imenso. Não relevámos o suficiente da importância que aquilo tinha. E quando digo nós digo nós os jornalistas, a indústria em si.
ND – Porque analisámos que o ataque era só para o Jornal de 6 ª feira da TVI e Manuela Moura Guedes?
ARF – E o Público.
- O Público. E que não era isso. Nós não pressentimos, ou não quisemos pressentir, o que era isso, o que é que se estava a passar ali. Aquela aclamação louca de um grupo de seguidores face a um discurso totalmente inaceitável.
ARF – Neste processo há jornalistas que são cúmplices.
- Há.
ARF – Isto não é um assunto corporativo, de jornalistas contra políticos.
- Não. Há jornalistas e organizações de jornalistas que também não são suficientemente activistas como deviam ser. Fiz parte da lista única do sindicato, estou incluído no Conselho Geral, mas uma das coisas que me surpreendeu com toda a franqueza foi não ver um único representante do Sindicato dos Jornalistas no lançamento do meu livro. Acho que o Sindicato dos Jornalistas devia ser muito mais vigoroso nisto, não poderia ser de outra maneira. Dai ser uma organização moribunda, que inspirou a minha caridade de integrar uma lista única porque está em desaparecimento. Estou a considerar manter-me porque não é eficaz.
ARF – Tem muitos anos de profissão, já passou por vários momentos difíceis, já conheceu vários Governos. Este é mesmo o pior momento ou já houve outros semelhantes ou piores?
- Na minha vida profissional este é o mais gritante.
ARF – O mais gritante?
- É aquele que me bate à porta com mais força. Claro que todos os poderes tentam influenciar o retrato que fazemos dele mas nunca de uma maneira tão gravosa. Fala-se muito dos períodos em que o doutor Marques Mendes era ministro do professor Cavaco. E lembro-me que em pleno Jornal das Nove, que apresentei nesse dia mas já trabalhava com Manuela Moura Guedes, sob a direcção de Eduardo Moniz, houve uma altura em que tentou levantar a imunidade parlamentar da arquitecta Helena Roseta e claro que houve uma onda de protesto público, eu abordei esse tema no jornal, convidei-o para ir lá, fiz-lhe um única pergunta, ele saiu-se mal, mas saiu-se de frente.
ARF – Nunca sentiu na RTP este tipo de actuação?
- Tão directa não.
ND – Voltando à actualidade. Os portugueses não estão a ser bem informados?
- Não. Os portugueses não estão a ser bem informados. Não estão. Vamos encarar isto de frente. Se estivéssemos a ser bem informados saberíamos que o défice não era 5 por cento. Era o dobro.
ARF – Vivemos em muitas áreas na mentira?
- Vivemos uma realidade construída e aceitámos essa realidade.
ARF – É uma ilusão?
- É uma ilusão, claro, uma ilusão que se paga. Uma ilusão que rende votos e que rendeu votos.
ARF – O director do Sol relata uma conversa com o primeiro-ministro em que Sócrates lhe disse que o tempo de comprar jornalistas já lá vai. Agora compram-se os patrões dos jornalistas. Como é que encaras esta conversa?
- É terrível e é assustador. É bom que as pessoas também sintam que o que está em causa é um valor nacional muito importante.
ARF – Faltam bons empresários de Comunicação Social em Portugal?
- Nós não temos aquelas figuras românticas dos press lordes. E aparecem assim umas imitações muito beras do Citizen Kane, que de repente compra jornais e que vai às redacções, assim com uma grande charutaça, dizer que ‘eu tenho os melhores jornalistas que o dinheiro pode comprar’. É capaz de ser isso. Capaz de ser isso não. Eu digo que é isso com grande mágoa minha.
ARF – Vê-se as escutas da ‘Face Oculta’ e percebe-se que o poder político usa empresas que controla para manejar a Comunicação Social e formar grupos a seu favor, como peças de xadrez. Isto assusta um bocado.
- Assusta. Para já é um mercado muito pequeno, não tem as grandes defesas dos EUA, que é o mercado dos números. Depois temos estes tubarões colossais, os grandes clientes de publicidade, como a PT, que afoga qualquer outro cliente. Isto é poder absoluto. Determinar para quem vai o dinheiro é poder absoluto.
ND – E mudava alguma coisa se a PT não tivesse a golden share do Estado? Continuava a ter o mesmo poder, só não tinha a golden share. Mudava alguma coisa?
- É uma excelente pergunta. Penso que podia mudar. Depende se ela tivesse entregue apenas a energias de mercado teria que mudar.
ND – Isto para perguntar se a pressão vem de facto dos grandes patrões da economia ou se vem do poder político, que controla essa economia?
- Há uma simbiose muito grande. Há uma congregação de interesses e de conveniências muito grande. Os patrões da economia entendem que apoiar o Governo, e têm sido particularmente ambíguos nessa zona também, na banca e na indústria, neste momento é importante. E temos um Estado que distribui benesses. Eu vou dizer aqui uma coisa de uma dureza um bocado grande.
ARF – Diga.
- Eu preocupa-me imenso o que aconteceu à TSF. Desde o princípio, aquela energia, a rádio Jornal que Emídio Rangel lançou, uma rádio de notícias, a rádio jornal acabou. Quando eu hoje ouço, patrocinados por vários Ministérios, longos programas em que se exaltam os diversos intervenientes ministeriais em linguagens muito velhas...
ARF – São tempos de antena.
- São tempos de antena. Pagos, que sustentam a TSF. E o que é que aconteceu? A TSF perdeu a sua alma, aquela capacidade de intervenção, aquela aventura, o vigor da informação.
ND – Quem se der ao trabalho de ouvir duas ou três rádios, ver duas ou três televisões e comprar dois ou três jornais consegue ter uma visão da realidade ou não?
- É preciso uma cidadania avançada e empenhada, que é uma coisa que também nos tem faltado. Nós não temos querido assumir uma cidadania, não temos exigido uma cidadania avançada.
ARF – Voltando ao negócio da TVI. A PT não comprou a TVI, o negócio foi vetado, mas o plano B com a Ongoing não avançou?
- Para mim avançou.
ARF – Nuno Vasconcelos, patrão da Ongoing, diz que tem uma obsessão pela Ongoing.
- Seja. É curioso que ele detecte essa obsessão. Eu não conheço esse senhor. Acho que ainda tem uma percentagem substancial do capital da empresa para quem trabalho. Aliás essa titularidade accionista não se reflecte de todo no meu trabalho. Mas eu só tenho uma pergunta muito simples: o que é a Ongoing? Não tenho outra pergunta. Não é uma campanha, não é cruzada, não é obsessão, não conheço o senhor de lado nenhum, provavelmente não vou conhecer, mas estou a ver a actuação de uma coisa que eu não sei o que é. Nós olhamos à volta e ninguém tem dinheiro para nada. Não há engenharia financeira que lhe valha, o crédito está caríssimo, ninguém acredita em Portugal por estas e por outras coisas.
ARF – Se calhar a culpa disso é dos jornalistas.
- O que está a acontecer aqui hoje não é culpa de nós termos denunciado e que está a ser retratado lá fora.
ARF – É a velha mania de que se pode esconder dos estrangeiros o que se passa em Portugal.
- O estarem a tentar crucificar o Paulo Rangel, nomeadamente vários círculos políticos, por ter levado para o Parlamento Europeu a questão da liberdade de expressão. Fez muitíssimo bem.
ARF – Parece que estamos no tempo de Salazar.
- Claro. Não se pode dizer mal de Portugal, são uns traidores, como Mário Soares foi apelidado por se ter manifestado em Londres. E o facto de Nuno Melo ter falado de Lopes da Mota.
ARF – E agora as questões a Vítor Constâncio.
- Manifestamente. Teria de haver, segundo os defensores dessa linha, uma espécie de cumplicidade nacional. Uma espécie da mulher espancada em casa. Entre marido e mulher não se mete a colher. Fica na família.
ARF – Já lhe fizeram várias acusações. Uma delas é que ficou zangado com o Governo porque não foi para conselheiro em Washington. Foi escrito no Público pelo Eduardo Cintra Torres.
- É a opinião do Cintra Torres. Uma opinião estranha. Nunca me passou pela cabeça ir para conselheiro em Washington. Nunca pensei acabar a minha vida na assessoria.
ARF – Não acha que há um certo maniqueísmo na opinião, entre os bons e os maus. Os que estão com o Governo e não estão?
- As coisas têm normalmente uma razão. Essa do Cintra Torres surpreendeu-me. Entendo que é o direito dele. Houve um certo sincronismo de datas, numa altura em que me tinha referido com particular intensidade ao Presidente da República, por exemplo. Há uma ligação muito próxima entre o Cintra Torres e o Fernando Lima. Foram parceiros de uma série de iniciativas em Macau. É natural que o Cintra Torres se tenha sentido melindrado. Ou os dois tenham conversado.
ARF – Como é encara a forma cautelosa, muito cautelosa, como a classe política está a reagir a estas escutas?
- É estranha. É um dos pontos em que acho que devia haver uma independência maior na defesa de valores que são nossos. E vou dizer isso na Comissão de Ética.
ARF – Exacto. É, ainda por cima, uma questão de ética.
- Exacto, Devia haver uma crítica muito mais desinibida, inclusive de membros do PS, que tem gente de muito valor, com credenciais inquestionáveis na defesa destes valores que se deviam ter pronunciado logo a seguir ao congresso do PS e que teriam travado o ímpeto missionário de Sócrates e dos eu pequeno grupo.
ARF – Acha que Sócrates tem condições para continuar a ser primeiro-ministro?
- Não.
ARF– E porque é que se mantém?
- A razão pela qual José Sócrates não se demite só pode ser a mesma porque José Leite Pereira não se demite.
ND – Ou porque pensa que tem condições para se manter.
- É preciso ter uma cara de pau de todo o tamanho.
ARF – Não será por haver um enorme sentimento de impunidade?
- Há uma sensação de impunidade que pode fazer isto e pode manter-se.
ARF – Porque se atropelam um conjunto de valores.
- Está na altura de mudar isso.
ARF – Fica tudo na mesma.
- Mas isso compete aos próprios partidos. Falando no PS. Tem de fazer uma reflexão profunda. Tem pessoas a quem este País deve muito.
ARF – Mas estão todos calados, incluindo Mário Soares.
- É. Estará certamente a ponderar se deve ou não pronunciar-se.
ARF – E Manuel Alegre.
- Manuel Alegre terá que se pronunciar.
ARF – Ainda por cima é candidato presidencial.
- Eu escrevi isso no livro. Ele mandou-me um SMS de solidariedade por eu ter sido censurado. Mas acredito que ele vai pronunciar-se sobre isto tudo. E não é só o Manuel Alegre. É o Almeida Santos.
ND – Mas são os senadores do PS que têm nas mãos a alteração deste estado de coisas?
- São. No dia em que eles dissessem que cai este homem, cai este homem. Este homem não serve para Portugal, cai este homem.
ND – Mas aparentemente esses senadores estão com o primeiro-ministro.
- Essa é a dificuldade que eu tenho para entender as suas posições face a esta evidência toda. Mas certamente que estão a reflectir sobre isso.
ARF – Não espera nada do Presidente da República?
- Não, o Presidente da República não tem aquele senso histórico que o Ieltsin teve quando foi para cima do tanque em Moscovo. Eu só digo isto. O Governo de Santana Lopes foi demitido por coisas negligenciáveis em comparação com o que está a acontecer hoje. Eram questões de forma barata, estas são de fundo.
ARF – Toca mesmo a democracia?
- Na minha interpretação sim. Toca o meu bem estar como cidadão. E choca-me ter que estar a defender estes princípios. Aos senadores competia isso.
ARF – Aos do PS?
- Aos do PS mais do que ninguém. E surpreendeu-me também a posição do Bloco de Esquerda.
ARF – Está tudo constrangido?
- Está. Veja-se a posição de Francisco Louçã. Teria obrigação de se manifestar com mais clareza. E há uma enorme expectativa em relação aos senadores do PS. Estarem á altura da história, como já tiveram antes. Curiosamente com muitos mais riscos.
ARF – Os senadores do PS é que podiam pôr Sócrates a andar?
- Compete-lhes a eles fazer isso. E têm alternativas dentro do partido. Boa gente.
PERFIL
Mário Crespo nasceu no dia 13 de Abril de 1947 em Coimbra. Passou a infância em Moçambique, fez o serviço militar obrigatório, foi para a África do Sul em 1974 e começou aí a sua carreira jornalística. Em 1982 regressou a Portugal e entrou nos quadros da RTP. Foi correspondente em Washington e entrou na SIC em 2000 depois de um longo conflito com a televisão do Estado.

 
publicado por carlocos às 17:33
link do post | Arrifem comentários | favorito
|

referer referrer referers referrers http_referer

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.links

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds